Ele odiava o Natal. Com todas as forças do universo. Amigo oculto, confraternizações, gente alegrinha demais e solidárias demais por 15 dias… Nada disso o convencia.  E o pior é que o evento da firma, não dava para faltar: gente bêbada, inconveniente,  impertinente, comida ruim, música péssima. E o pior: fora sorteado. Ganhou um livro horrível, que encostou pela sala, nunca teve vontade de abrir. Vai servir de peso de papel, essa porcaria.

Seu único consolo na época, sua amada TV de LCD, começou a dar problema. Foi um tal de leva para assistência, devolve sem problemas, falha em casa, volta para assistência e não dá em nada, que ele se estressou. Muito. Pegou o tal livro e, em um momento de privação de sentidos, arremessou-o contra a maldita TV.

A TV pegou. E nunca mais deu problemas.

- Sim, mas me conta uma coisa: como era o nome do livro, mesmo?

- O Poder da Palavra.

Ainda ficou com raiva porque a família inteira não conseguia parar de rir.

Estava escrevendo a história de hoje, mas nada deve ser melhor que isso. A página já saiu do ar, mas eu tenho o pdf para quem quiser ver o crime:

Amazonas

Silvino Santos ministra palestra no Centro Cultural Palácio da Justiça

09 de novembro de 2009

Fonte: SEC

MANAUS - O quarto dia do 6º Amazonas Film Festival, que acontece hoje (09), segue com uma série de atividades que enaltecem a sétima arte. A partir das 16h, Silvino Santos vai ministrar a palestra “História e Documentário da Amazônia” no Centro Cultural Palácio da Justiça. A programação acadêmica é gratuita.

Leia abaixo a programação completa de hoje

A Mostra Social “Cinema Por Aí” acontece a partir das 14h em hospitais, penitenciárias, asilos e abrigos. Os filmes foram especialmente selecionados para a exibição nestes locais.

Mais filmes

A Mostra “Cinema no Largo” apresenta ao público o filme “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa”, de Yann Arthus-Bertrandi. A produção conta a história de Slimane, que durante 35 anos trabalhou no mesmo estaleiro, no rústico porto de Sete no sudeste da França.Sua crescente insatisfação com o trabalho o impulsiona a tentar abrir seu próprio restaurante. Esse sonho parece irrealizável, mas sua convicção e persistência acabam convencendo sua leal, porém dispersa família: quatro crianças de seu primeiro casamento, a ex-mulher, a atual namorada e sua brilhante e franca filha Rym.

 

Na Mostra em Homenagem ao Cinema Francês, a ocorrer a partir das 20h30 no Cinemais Plaza Shopping, será exibido Os Segredos do Grão, de Abdellatif Kechice. Acesse mais detalhes sobre a programação.

Confira a programação desta tarde

14h
Oficina de Curtas-Metragens Digital – Com Thiago Moraes
Local: Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro

Oficina de Produção de Cinema no Amazonas – Com Chicão Fill e Yuri César
Local: Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro

Oficina de Vídeo – Com Marco Del Fiol
Local: Centro Cultural dos Povos da Amazônia

Oficina de Edição – Com Juliana Corso
Local: Casa do Cinema

Mostra social Cinema Por Aí – 1 – Mostra Social
Local: Hospitais; Penitenciárias; Asilos; Abrigos.

15h30
Sessão Especial - Orquestra dos Meninos, de Paulo Thiago
Local: Escola Estadual Ruy Alencar

16h
Palestra – Silvino Santos: História e Documentário da Amazônia – Com Eduardo Morettin
Local: Centro Cultural Palácio da Justiça

17h30
Mostra em homenagem ao Cinema Francês – SOS Noronha, de Georges Rouquier
Local: Cinemais – Manaus Plaza Shopping 

18h
Película Verde – Exposição dos Alunos do Projeto Jovem Cidadão
Local: Casa das Artes

Mostra Cine Copa Verde – Sessão 3 – Caixinha de Surpresa – Canal 001, de Julio Pecly
O Futebol como Deus criou: o Peladão de Manaus, de Albert Knechtel
Local: Centro Cultural Povos da Amazônia

Mostra Aventura do Documentário Brasileiro – O Mistério do Samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Holanda
Local: Casa Ivete Ibiapina;
Teatro Luiz Cabral;
Centro de Convivência do Idoso – Aparecida;
Centro de Convivência da Família Pe. Pedro Vignola.

Mostra Made In Amazonas – Cley-Max O Protetor, de Claudir Barbosa
Local: Palacete Provincial

Mostra Telamazônia de Cinema – Governo José Lindoso – Parte 1, 2, 3, de Roberto Kahane
1ª Visita do Presidente João Figueiredo a Rondônia – Versão Manaus, de Roberto Kahane
2ª Visita do Presidente João Figueiredo a Rondônia, de Roberto Kahane
31ª Convenção do Lions Club, de Roberto Kahane
Local: Centro Cultural Palácio da Justiça

Mostra Cinema na Parada – Seleção de Curtas-Metragens dos Alunos e Professores do Projeto Jovem Cidadão.
Local: Terminais de ônibus da Cidade Nova e São José.

19h
Mostra Cinema no Largo 4 – Home – Nosso Planeta, nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrandi
Local: Centro Cultural Largo de São Sebastião

20h30
Mostra em homenagem ao Cinema Francês – Os Segredos do Grão, de Abdellatif Kechine
Local: Cinemais – Manaus Plaza Shopping
(JM)

Os Brutos Também Amam

Vila Madalena, Essepê

Tente lembrar. Se for necessário, se esforce mais um pouco. Houve, sim, uma primeira vez no motel. A daquele casal foi um desastre, embora tudo indicasse que seria a melhor noite de suas vidas.

Os coitados juntaram um bom dinheirinho, para poder ficar o tempo que quisessem, para comer o que desse na telha. Assim foi. O frigobar ficou mais vazio que geladeira de homem solteiro, até porque nem a água foi poupada.

Acontece que, na hora de sair, deu tudo errado.

- Houve consumo de frigobar?

- Houve, sim, não estava incluído na diária?

- Não, senhor, só o almoço executivo. Vamos mandar verificar, aguarde um pouco.

O valor declarado pelo atendente era imoral, indecente, impublicável.

- Amor, nós não temos esse dinheiro.

- E agora? Eu só tenho mais isso aqui, ó, pega. Mas ainda vai ficar faltando R$ 150,00.

- Então, um de vocês vai ter que ficar aqui enquanto o outro consegue a grana, é o jeito.

Ele se vira para a amada:

- Amor, você não dirige, o jeito é ficar, então.

- Eu não quero ficar, não.

- Não tem outro jeito.

- Promete que não demora, estou morrendo de vergonha.

- Não, eu juro, juro. Me dá um beijo. Fica tranquila.

Ele saiu, foi em casa, em busca de dinheiro. Só tinha R$ 80,00. Ligou para um amigo, conseguiu mais R$ 30,00. Os R$ 40,00 restantes ele conseguiu com três vizinhos, que fizeram uma cotinha.

- Ei, já que a gente está financiando a tua farra, me explica, a tua namorada não quis te matar, não? Deixar ela empenhada no motel… Se fosse a minha, chuparia o meu cérebro pelo ouvido.

- Rapá, tá por fora.Ela gosta muito de mim. Faria qualquer coisa por mim, até me esperar no motel.

- Vai nessa…

Chegando ao motel, ele entrega o dinheiro, resgata a namorada e a leva para casa. Na frente da casa da moça, ela reage: enfia uma bolacha na cara do folgado.

- O que é isso, meu bem?

- É a certidão do fim do nosso namoro. Tá pensando o quê, que pode me deixar presa em motel? Me esquece.

- Mas você não dirige.

- Isso não é problema, táxi existe pra isso. Ou eu poderia ter chamado uma amiga. O que não podia era você ter decidido isso na frente do cara. Não tive nem como dar outra solução, de tanta vergonha que senti. Me esquece.

 - Mas amor…

Portão fechado, conversa encerrada, namoro desfeito. Para sempre.

 -  Eu sou muito distraída, mesmo…

- Que nada, distraída sou eu. Já peguei até voo errado.

- Como é que é?

- Há uns 20 anos, o controle nos aeroportos nem era tão rígido assim, lembra?

- É verdade. Comprava-se passagem para um destino mais barato e descia-se em uma das escalas…

- Pois é. Eu estava indo para Brasília, fazendo uma conexão em São Paulo, alguma coisa assim. Ia puxando a minha bagagem de mão quando encontrei um funcionário da companhia aérea. Perguntei onde estava o avião da conexão e ele disse “entre aqui, entre aqui”. Achei o avião grande, mas tudo bem. De repente,o avião começa a taxiar e o piloto fala: “Senhoras e senhores, bem vindos ao voo para o Canadá”. Quase morri do coração. Ainda bem que o voo fazia escala em Brasília e eu saí correndo.

- Ah, não acredito. Isso só acontece contido. Parece até mentira.

- Ah, é? E o amigo do meu pai? Ele pegou um avião enganado, também. Mas sem escalas. Ao invés de Recife foi parar em Nova Iorque. Imagina a confusão.

- Não acredito.

- E o pior que, quando ele descobriu que o voo estava errado, ele começou a gritar: “para o avião, desce, desce, estou no voo errado”.

- Olha, depois as pessoas não acreditam nas histórias que eu conto…

Em  Porto Alegre, lugar em que o sotaque é tão diferente do amazonense que dá até nó na cabeça:

- Estou morrendo de fome.

- Olha, ali tem uma padaria, vamos ver o que dá para comer.

Ao chegarem, viram uma vitrine cheia de pastel, de formatos diferentes.

- De que é esse?

- Frango.

- E esse aqui?

- Decoração.

- Poxa, eu gostei mais desse. Não tem um que não seja decoração, que seja de verdade?

A atendente, querendo tacar o pastel na cabeça do ignorante, falou pausadamente:

- É de-co-ra-ção-de-ga-li-nha!

Ele foi assaltado à mão armada. Ameaçaram-no de morte, queriam levá-lo, mas o cachorro dele protestou. Acabaram levando o carro, a máquina fotográfica, o celular e o dinheiro.

- Olha, era para eu morrer. Eram dois caras com revólveres, outros dois me ameaçando, me puxando pra dentro do carro. Eu disse que se era para morrer, que preferia que fosse na frente de casa. Mas aí meu cachorro começou a latir muito, os vizinhos começaram a chegar nos portões, eles se assustaram e foram embora com o carro. Ainda bem que eu estava com o meu terço da sorte. A irmã interrompeu:

- Terço da sorte? Aí é mito, maninho. Pensa bem: quando você tinha 16 anos, achou o terço pendurado em uma árvore. Então foi passear de bicicleta e dois caras armados levaram o teu camelo. Então, alguns anos depois, você compra seu primeiro carro. Sai com o terço, como sempre, e o carro é roubado. E agora essa? Ah, não, esse terço é amaldiçoado, joga isso fora, por favor.

- Mas é um terço!

- Amaldiçoado. Você está proibido de entrar aqui em casa com ele, pode até acontecer um incêndio, quem sabe…

- Exagerada.

O coitadinho era magrinho, magrinho. Parecia um fio de óleo. Cansado de ter músculos de carapanã, resolveu começar a malhar para ganhar massa muscular. Em casa, é claro; academia, só quando estivesse um pouco bombadinho.

Comprou os equipamentos e, como morava sozinho, resolveu montar sua academia na sala, mesmo. Vestiu-se adequadamente, posicionou-se no aparelho de supino e começou a levantar peso. Como viu que estava muito leve, aumentou o peso.

Tentou novamente. Relativamente leve. Aumentou o peso. Um pouco pesado, mas ainda ficaria fácil. Aumento um pouco mais. Achou que já ficara pesado o suficiente. Deitou no aparelho, suspendeu e… Ploft. Pesado demais, não conseguia levantar mais o peso. Estava preso.

Vou descansar um pouco, aí eu consigo levantar e sair daqui para ajustar.

Tentou, tentou, e nada. Começou a ficar preocupado. Aflito. Desesperado.

- Socorro, socorro! Pelo amor de Deus, socorro. Estou preso.

Nada. Nenhum vizinho, um passante, um curioso. Nada.

Ele olhava para o celular, logo ali, pertinho, mas tão longe. Começou a tocar. E ele, a gritar.

- Eu não posso atender, estou preso, socorro. SOCORROOOOOOOOOOO.

Como o celular não era ativado por voz, não adiantou nada.

Ficou assim: preso, com as mãos na altura dos ombros. Chorou, riu de si mesmo, cantou, gritou de novo e nada. Até que dormiu, de exaustão, de derrota.

Exatos um dia e meio depois, alguém bate à sua porta.

- Não posso abrir, estou preso.

- Preso como?

- No supino.

- O que é supino?

- Não interessa, entra aqui e me ajuda.

- Cadê a chave?

- Tá aqui dentro.

- E como eu entro, se não tem chave aqui?

- Arromba, porra.

- Vai estragar a porta.

- E eu vou estragar tua cara. Derruba essa porta, antes que eu comece a espumar.

Arrombou. Tirou o coitado do magrinho do sufoco que, quase chorando, suplicou.

- Estou todo dormente, me ajuda a ir ao banheiro, estou louco para fazer xixi.

Vendeu os aparelhos e aceitou o seu destino de magrinho. O jeito era virar nerd, mesmo.

A mãe estudava enquanto a filha assistia ao noticiário (é, criança às vezes é uma coisa esquisita). De repente, a menina decreta:

- Mãe, eu quero ser gay.

- Tá bom, filha, pode ser gay. Mas vai ter que esperar um pouco para isso acontecer. Tem que crescer primeiro.

- Mãe, mas eu quero ser gay hoje!

A mãe olhou para a TV e deu de cara com uma drag queen toda de rosa, até os cílios postiços, imensos.

- Ah, filha, mas aí você está falando de drag queen. Mulher não consegue se vestir de drag queen. Eu até tentei, mas levei um fora horrível de um grande amigo. Parece que não dá, mesmo.

- Isso não é justo! Quer dizer que eu não posso ser neguequim só por que eu sou uma menina? Mas olha aí, ela está de rosa.

- É ele, filha. É um homem que decidiu se vestir de mulher.

- Mas eu já me visto de mulher, eu sou mulher, oras. Eu quero ser neguequim. Eu vou falar para o meu pai.

- Vai, ele vai cair pra trás.

Todo mundo sabe disso: homens juntos, só falam besteira. Mas esse grupo se superou: o assunto era depilação e bunda peluda.

- Ah, doi pra cacete, mas eu prefiro depilar.

- Que nada, acostuma. A mulherada gosta é de pêlo lisinho, isso sim.

O mais exaltado, a favor do jeito urso de ser, baixou a bermuda, deixou a bunda peludíssima à mostra e decretou:

- Mulher gosta é de bunda de macho, rapaz!

Eis que a polícia vai passando nesse exato momento.

- Tá todo mundo preso por prostituição e atentado ao pudor.

Assustado, o urso da bunda peluda protestou:

- Prostituição não dá cadeia.

- Desacato e atentado ao pudor, dá.

Foram fichados e demorou um tempão para explicarem que focinho de porco e tomada não são a mesma coisa.

 

Janeiro 2012
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