Coitadinho, o cachorrinho era velho, mas era dela. E ela adorava o coitado, apesar de velhinho e cansado… Mas aí a situação piorou: ele começou a enxergar mal, bater nas coisas. Não tinha outro jeito, aí era levar para o veterinário.
- É grave, doutor?
- Não é muito, não. É glaucoma, e o único tratamento é a cirurgia. Não garanto que ele realmente vá ficar bom, mas não tem outro jeito.
- Doutor, eu acho operação uma coisa tão perigosa… Não tem como ele usar óculos?
O veterinário respira fundo e reza o mantra: ela é cliente, ela é cliente, ela é…
- Não, minha senhora, não quem como eu receitar óculos para o cachorro. As orelhas dele não são adequadas para segurar óculos. E, mesmo que inventassem uma forma de fazer com que os óculos ficassem fixos no cachorro, me diga: como eu saberia se o grau que estou testando nele funciona ou não, se o cachorro não pode me dizer?
- Ah, eu não tinha pensado nisso…

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