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O coitadinho era magrinho, magrinho. Parecia um fio de óleo. Cansado de ter músculos de carapanã, resolveu começar a malhar para ganhar massa muscular. Em casa, é claro; academia, só quando estivesse um pouco bombadinho.
Comprou os equipamentos e, como morava sozinho, resolveu montar sua academia na sala, mesmo. Vestiu-se adequadamente, posicionou-se no aparelho de supino e começou a levantar peso. Como viu que estava muito leve, aumentou o peso.
Tentou novamente. Relativamente leve. Aumentou o peso. Um pouco pesado, mas ainda ficaria fácil. Aumento um pouco mais. Achou que já ficara pesado o suficiente. Deitou no aparelho, suspendeu e… Ploft. Pesado demais, não conseguia levantar mais o peso. Estava preso.
Vou descansar um pouco, aí eu consigo levantar e sair daqui para ajustar.
Tentou, tentou, e nada. Começou a ficar preocupado. Aflito. Desesperado.
- Socorro, socorro! Pelo amor de Deus, socorro. Estou preso.
Nada. Nenhum vizinho, um passante, um curioso. Nada.
Ele olhava para o celular, logo ali, pertinho, mas tão longe. Começou a tocar. E ele, a gritar.
- Eu não posso atender, estou preso, socorro. SOCORROOOOOOOOOOO.
Como o celular não era ativado por voz, não adiantou nada.
Ficou assim: preso, com as mãos na altura dos ombros. Chorou, riu de si mesmo, cantou, gritou de novo e nada. Até que dormiu, de exaustão, de derrota.
Exatos um dia e meio depois, alguém bate à sua porta.
- Não posso abrir, estou preso.
- Preso como?
- No supino.
- O que é supino?
- Não interessa, entra aqui e me ajuda.
- Cadê a chave?
- Tá aqui dentro.
- E como eu entro, se não tem chave aqui?
- Arromba, porra.
- Vai estragar a porta.
- E eu vou estragar tua cara. Derruba essa porta, antes que eu comece a espumar.
Arrombou. Tirou o coitado do magrinho do sufoco que, quase chorando, suplicou.
- Estou todo dormente, me ajuda a ir ao banheiro, estou louco para fazer xixi.
Vendeu os aparelhos e aceitou o seu destino de magrinho. O jeito era virar nerd, mesmo.
