Ele odiava o Natal. Com todas as forças do universo. Amigo oculto, confraternizações, gente alegrinha demais e solidárias demais por 15 dias… Nada disso o convencia. E o pior é que o evento da firma, não dava para faltar: gente bêbada, inconveniente, impertinente, comida ruim, música péssima. E o pior: fora sorteado. Ganhou um livro horrível, que encostou pela sala, nunca teve vontade de abrir. Vai servir de peso de papel, essa porcaria.
Seu único consolo na época, sua amada TV de LCD, começou a dar problema. Foi um tal de leva para assistência, devolve sem problemas, falha em casa, volta para assistência e não dá em nada, que ele se estressou. Muito. Pegou o tal livro e, em um momento de privação de sentidos, arremessou-o contra a maldita TV.
A TV pegou. E nunca mais deu problemas.
- Sim, mas me conta uma coisa: como era o nome do livro, mesmo?
- O Poder da Palavra.
Ainda ficou com raiva porque a família inteira não conseguia parar de rir.

1 comentário
Comentários feed para este artigo
Janeiro 6, 2010 às 4:29 pm
Andrés Pascal
E fica a dúvida se o conserto aconteceu por culpa do livro ou da indignação. E quem fez do outro um instrumento. Bom que ele voltou a rir, pelo menos até o chatearem de novo. Adorei o texto