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- Então, resumindo, nós temos, sim, problemas de produção textual…
- Também, professora, as professoras de ensino básico são semianalfabetas.
- Como?
- Olha, quando eu era criança, lá no Maranhão, tínhamos uma professora burra que nem uma porta, mas cheia de boa vontade. Então ela resolveu nos ensinar a cantar o Hino Nacional com gestos. Sabe aquela hora em que se canta “mas se ergue da justiça a clava forte”?
- Sim, eu sei.
- Pois é, ela ensinou a gente a cantar “mas se ergue da justiça cabra forte”! E o pior, é que quando, a partir de 1971, por conta da ditadura, passou a sair o Hino Nacional na contracapa do caderno, eu vi que estava diferente. Daí eu mostrei para a professora: “olha aqui, professora, é clava forte”. “Mas tá errado, é cabra forte mesmo”.
Gargalhadas na turma.
- E vocês não viram nada. No Hino do Maranhão tem um trecho que diz que o soldado vai ao mar buscar guarida. Ela ensinou “vai ao mar buscar guariba”. Passei minha infância inteira tentando imaginar se existia, mesmo, um macaco aquático ou que diabos um macaco fazia no mar e por que um soldado se ocupava de ir lá buscar a peste.
A professora foi obrigada a dar o intervalo mais cedo.
Aula de doutorado, ao contrário do que se pode imaginar, é igual a qualquer aula de graduação: tem aqueles que não param de falar, tem os que não lêem um texto sequer, os cdfs, as patricinhas turronas que marcam lugar, a turma do fundão, os que querem parecer o que não são, os que são cdfs e querem parecer malandros e por aí vai. Todos os tipos. Mas um, particularmente, só existe nesta turma.
O professor começa a aula e diz:
- A primeira gramática editada no mundo é a de Port Royal…
- Professor, eu tenho aqui na minha bolsa, quer ver?
- Ah, sim, por favor.
A aula continua.
- Então, como eu falava, só na África existem muitas línguas, de vários troncos linguísticos. É que eu esqueci…
- Professor, eu tenho um livro com o mapa linguístico da África…
O professor ri e utiliza o mapa.E continua a aula, até que, meio invocado, dispara:
- Mas esse livro, duvido, você não tem, a edição esgotou há tempos.
- É, não tenho, mesmo, mas tenho uma cópia eletrônica.
- E esse aqui, você não tem a melhor tradução dele.
- Eu tenho é todas. As três, estão aqui na minha bolsa, quer ver?
Uma das alunas, dada a gracinhas de toda ordem, dispara:
- Professor, se o senhor quiser utilizar os manuscritos do Mar Morto, pede que ele tira da bolsa mágica. Aliás, cuidado, senão o senhor vira o vilão da história. Mas se for para garantir minha nota, posso dar uma de Poindexter e roubar a bolsa dele para o senhor.
E assim, a aula voltou ao normal e todos foram felizes para sempre.
Passei o dia inteiro tentando imaginar um post engraçado para o ocorrido (todos já haviam escrito tudo o que se podia sobre indignação, injustiça, impunidade…). Depois de ter lido o post no Leseira Baré, não precisei mais me dar ao trabalho. Está muito bom…
Caso Gilson Monteiro
Todo mundo ja reportou tudo que tinha pra reportar sobre o caso, entao vou comecar a minha sequencia de piadas prontas:
- Se cada vez que o Gilson usasse meu pai como (mau) exemplo nas aulas de Teoria da Comunicacao e Realidade Regional ele fosse la dar porrada nele, seria melhor que minha familia se mudasse pra Ufam logo.
- Essa coisa de agredir professor na Universidade Federal eh tao 1964. Gilson, Indramara te inveja. Derzi culpa o capitalismo e a nova ordem mundial.
- Quanto a aluna citada, siga o exemplo aqui e saia da cidade se voce nao quer que sua familia (publica e “nao-perfeita”) seja criticada num curso de comunicacao. Saia do pais. O problema eh que pra isso voce precisa ser inteligente. Pessoas inteligentes sabem argumentar. Seguindo a logica, FAIL.
- Contei esse exemplo na minha aula de Communication in Global Perspective. Todos me acham Badass por estudar em um ambiente tao hostil. Uma kappa delta ate me chamou pelo primeiro nome depois da aula. Estou pop.
- Manaus, cidade grande, coronelismo de interior. Apostemos que nao vai dar em nada?
- Porque essas coisas nao acontecem em Lexington, hein? Estou entediada, beer pong nao me satisfaz mais.
Ela sempre fora caretinha, caretinha. Nem mesmo um golinho de cerveja ela aceitava. Bar? Alguém pode dizer para que serve um bar? Que coisa, ficar bêbada… Eu, hein… Até que um dia ela teve uma experiência tão radical, tão louca que mais parecia estar protagonizando um filme de apologia às drogas.
Ela fora acometida de uma virose que não tinha outro sintoma senão uma tosse intermitente, irritante, forte, profunda. Dor no peito, na garganta e um desespero sem fim. Não tem outro jeito: vou ao médico.
- Minha filha, você precisa se cuidar. Senão, vai acabar pegando uma pneumonia. Toma esse xarope, de 4 em 4 horas, por cinco dias.
Além do xarope, é claro que o médico fez uma série de recomendações que deveriam ser seguidas. Tosse intermitente é tosse intermitente. E ela foi ficando incomodada, irritada, chateada… Nada de o xarope fazer efeito. E como uma boa brasileira, ela tinha uma tendência à automedicação: o jeito é eu aumentar a dose.
E ela foi percebendo que a cada colherada de xarope vinha um alívio indescritível. Foi aí que começou uma festa de colheradas, a cada tossida. Ewan McGregor morreria de inveja: cerca de duas horas depois, ela estava completamente drogada em seu ambiente de trabalho. De pé, ela rodava, rodava, coçava a cabeça, girava no sentido contrário, dizia que estava sentindo umas coisas estranhas e que precisava ir para casa.
Os colegas de trabalho, estupefatos com a cena e sem noção de como ela ficara desta forma, advertiram que era melhor ela ficar, dormir um pouco para ver se melhorava. De tão transtornada, acabou concordando e se trancou em uma das salas que não era muito usada.
- Essa professora é estranha…
- Ei, perigoso é ela ter algum problema, uma convulsão, sei lá…
Uma das professoras foi lá, bateu à porta e nada. Chamou, gritou, se desesperou até que ela ouviu e abriu.
- Mana, estou me sentindo muito mal. Estou com sono, mas estou agitada… Estou tonta… Não estou tendo controle sobre os meus pensamentos, muito menos sobre a minha fala. Você viu a chave do meu carro?
- O que você tomou?
- Xarope.
- Xarope? Mas xarope não deixa ninguém assim… Foi só xarope, mesmo? Então você tomou o vidro todo.
- Todo, não. Tomei bastante, mas não chegou ao vidro todo, não. Olha aqui…
- Quando você comprou esse xarope?
- Hoje.
- Hoje? Como você tomou???
- Toda vez que eu tossia eu tomava uma colherada.
- Ei, maluca, você está drogada….
- Como?
-Você tomou mais da metade do vidro de xarope em muito pouco tempo… Ai… É perigoso, você teria que ir ao médico. Será que precisa fazer lavagem estomacal?
- É para lavar o quê?
- Ih, a coisa está feia. Acho que você deveria estar com a sua família. Vamos tentar conseguir alguém para levar você em casa…
Ela foi para casa, melhorou, voltou no dia seguinte com cara de que fez coisa errada, morrendo de vergonha. Até hoje ela xinga uma amiga que insiste em contar essa história para todo mundo e tem o vidro de xarope guardado como lembrança e, principalmente, como prova do crime.
Contrariando o nome deste blog, acho que às vezes só comigo, mesmo.
Uma renomada instituição, que também está completando 100 anos de atividades em Manaus, resolveu homenagear a Ufam por conta de ela ser a precursora legítima da primeira universidade brasileira, a Universidade Livre de Manáos. Foram-se todos para cerimônia: professores, pró-reitores, representantes de sindicatos, jornalistas… Uma verdadeira comitiva.
O mestre de cerimônias inicia com um histórico da Ufam e finaliza com alguns dados atuais, entre eles o número de cursos de mestrado que a instituição oferece: 19. Percebendo o equívoco, eu comento com um amigo:
- Ei, não são 19 cursos de mestrado, não, acho que são 38.
- Ele falou 19?
- Falou. Eu vou avisar para o reitor corrigir durante o seu pronunciamento.
- É, vai lá, vai lá, que fica feio para caramba.
Com a discrição que é possível em um momento desses, eu avisei para o reitor:
- Professor, o mestre de cerimônias forneceu um dado errado. Não são 19 cursos de mestrado, acho que são 38. O senhor poderia corrigir durante o seu pronunciamento?
- Claro, claro.
Eu voltei, então, ao meu lugar com uma sensação de dever cumprido.
Eis que o reitor inicia seu pronunciamento e, antes de qualquer coisa, diz, apontando não um dedo, mas a mão inteira para mim:
- Eu gostaria de pedir desculpas, mas a nossa assessora de comunicação passou os dados errados para a instituição. Na verdade, temos 38 cursos de mestrado e um de doutorado…
COMO ASSIM??? Eu não sou assessora de comunicação, eu não passei dado nenhum para ninguém, eu só queria ajudar e só me ferrei. Uma professora chegou a me cutucar:
- Tá vendo, assessoria de comunicação tem que prestar mais atenção, esses dados são de 2004.
O amigo rindo de mim:
- É, a culpa é tua, deveria ter passado os dados corretos. Presta atenção no serviço!
Depois de a cerimônia ter encerrado, o que durou umas seis horas, tamanho o tempo que passei sendo vista como incompetente, vem o coquetel. E como amigo é para acudir um, esse não fez diferente:
- Sabia que além de comer muito ela ainda passa os dados errados?
Ao ouvir isso, e enquanto eu pegava mais uma torradinha com carpaccio, a garçonete sai com essa:
- Professora, pode comer, lá dentro tem mais.
Definitivamente, virei motivo de riso e chacota, até para o reitor, que não se penalizou com o meu sofrimento:
- Professor, o senhor me deu uma carcada pública, e eu nem merecia, as lágrimas caíram de três em três, que é a mais sofrida.
- Eu nem queria corrigir. Você que mandou.
- Mas eu não pedi para o senhor me execrar em público.
- Mas o que eu poderia ter feito?
- O senhor poderia ter dito “olha, a Ufam é tão ágil que esses dados, em questão de semanas, ficaram ultrapassado. Vocês acreditam que já são 38 cursos de mestrado…” A sua fala poderia seguir essa linha… E eu nem sou a sua assessora.
- Ah, é. Mas se algo der errado na festa de cem anos, a culpa é sua.
Pense em um professor exigente, rígido e chato. Não, não, não. Esse era muito mais. Ele ensinava Latim I e II e, para contextualizar, segue um comentário típico dele:
- Professor, isso aqui é muito difícil.
- Difícil nada, é a mesma coisa que grego. Olha aí, é igualzinho grego.
- Mas eu não sei grego.
- Vai estudar, não é proibido.
Pois é. A turma toda já estava acostumada com as manifestações de carinho e apreço do mestre durante o Latim I e, por isso mesmo, na disciplina seguinte, entravam mudos (antes do professor) e saíam calados (depois dele, é claro). Até que um dia, uma desavisada que havia sido transferida de outra universidade, bate à porta, meia hora depois da aula ter começado.
- Bom dia, professor!
- Diga.
- Eu estou matriculada nesta disciplina e não posso assistir à aula hoje. O senhor pode me dar presença?
O professor suspirou, se ajeitou na cadeira, e a turma toda baixou a cabeça. Uns, claro, morrendo de rir do que estava por vir.
- Minha filha, eu não quero ser seu cúmplice.
- Como?
- Você não entendeu… Eu imaginei que você não entenderia. Eu explico. Vou dar presença para você, e aí – você tem cara de mal amada – você sai daqui e vai matar seu marido. E vai usar como álibi a presença na minha aula. Aí a polícia vem investigar aqui e vai descobrir que você não estava aqui, o que torna, imediatamente, seu cúmplice.Portanto, eu não vou lhe dar presença, nem que você fique, já que o atraso já está demais.
Foi a única vez que ela foi vista pela turma. Uns juram que ela voltou para a sua terra natal, deixando até um pouco de saudade em alguns.
- Bom dia, professora!
- Fala.
- Professora, sabe o que é?
- Eu não sou médium, fala logo.
- Professora, eu teria que entregar o trabalho hoje. Mas estou cheio de problemas. Primeiro, bati o carro ontem…
- Meu filho, nem continua. Se é para chorar problemas, o bloco do Serviço Social é o próximo. Pode ir lá. Aqui, eu quero é o trabalho, senão é zero.
- Professor, não tem água. O senhor vai dar aula mesmo assim?
- Eu vou, não professor de natação. Vamos, todos entrando.
- Ei, nós precisamos conversar.
- O que é?
- Os alunos estão reclamando de você.
- Por quê? Eles não estão gostando da minha aula?
- Não, pelo contrário. Eles estão adorando as suas aulas, dizem que você ensina como ninguém. O problema é o seu relacionamento com eles.
- Ah, depois passa. Eu não estou concorrendo a Miss Simpatia, mesmo.
- Professora, hoje vai ter aula normal?
- Não, de forma nenhuma. Hoje todos vão ficar de cabeça para baixo, cantando o Hino Nacional de trás para frente. É para treinar a concentração.
- Ai, professora…
por Aline Lira
- Vai ter sorteio?
- Vai, sim.
- Mas nem adianta. Eu nunca ganho nada. A única vez que eu fui sorteado ganhei uma calcinha e um sutiã.
- E o que você fez?
- Dei para a minha mulher, claro.
- Ainda bem que foi antes de ela achar no seu carro.
O músico cantando Vale Tudo, do Tim Maia:
- “Vale tudo, vale o que vier. Só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher”.
- Por que esse preconceito?
- Ah, então não vale tudo. Isso não tá com nada.
- Pessoal, vamos comer e, em seguida, vamos fazer o sorteio.
- E por que vocês não fazem o sorteio antes?
- É porque vai demorar muito.
- E vocês vão sortear muita coisa? Por acaso compraram 200 brindes?
O músico continua cantando:
- “Como é grande o meu amor por você. Nem mesmo o céu…”
- Isso não é mais amor, é uma camada de ozônio, é uma agonia.
Na mesa de salgadinho:
- Pode repetir?
- Pode, olha ali a aquela gorda, já repetiu duas vezes. Ela parece mais três abacates numa meia que uma mulher. Isso para ser suave, porque ela parece mais uma melancia numa toca de papai noel.
- Agora eu vou cantar uma música para colocar o astral lá para cima: “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
por Aline Lira
A pedidos, publico aqui meu texto engraçadinho que li na abertura da 18ª Semana de Estudos da Comunicação. Quem primeiro identificar quais filmes eu cito, ganha uma barra de chocolate de 200g. É só deixar a lista em forma de comentário.
Bom Dia, Vietnã!
Tenho certeza de que os que me conhecem não ficaram à espera de um milagre: que o meu pronunciamento fosse sério, sisudo. Eu não sou assim nenhuma roteirista de Monty Python, mas consigo ver humor em tudo, até em morte no funeral. Quem viu meu último post no blog sabe disso. É que eu realmente acredito que a vida é bela.
Bem, a 18ª Semana de Estudos da Comunicação, nem meu primo Vinny, nem meu vizinho mafioso e nem mesmo o meu querido presidente conseguiriam descrever a minha alegria em coordenar um evento cujo tema é Descobrindo o Mundo do Cinema.
O cinema, aliás, essa arte cheia de linguagens diferentes, interessantíssimas, que chegam a desvendar a vida secreta das palavras, nos permite, tal qual a Rosa Púrpura do Cairo, que vivamos outras vidas, em outros universos paralelos. Por algumas horas, nos deixamos levar por uma equipe muito especial composta por roteiristas, diretores, produtores, entre outros, e temos acesso a essa Babel de sons, imagens e efeitos especiais.
Assim como muitos que estão aqui neste auditório, eu já entrei na Matrix, já passei o inferno na torre, já fui ao casamento do meu melhor amigo e até à festa de babete e já comi morango e chocolate. Já olhei e até posei em uma janela indiscreta, o que seguramente me fez sentir um estranho no ninho. Ah, que jogue a mamãe do trem quem nunca fez isso.
Nesses três dias vamos, todos, aprender muito. De Cidadão Kane à Última Parada 174, passando pelos Pássaros, vamos discutir de tudo. Espero que seja proveitoso para vocês como certamente será para mim. Besta foi a Vicky Cristina Barcelona, que não quis vir.
Gostaria de agradecer à minha companheira nesta que é só mais uma de nossas aventuras do barão de Münchausen: a professora Graciene Siqueira. Todos sabem que somos amigas para sempre, mas é preciso coragem e garra para ouvir uma proposta indecente e responder “vamos nessa!”, embora eu saiba que, muitas vezes, ela tenha dito vontade de dizer: “o que é isso, companheiro?”.
Ralamos muito, fizemos trabalho de formiguinhaZ e, apesar do apoio total e irrestrito do Centro Acadêmico de Comunicação Social e de alguns alunos do 8º período de jornalismo e de RP, de adoráveis mulheres passamos à mulheres à beira de um ataque de nervos. Afinal, pensamos que bastavam seis dias e sete noites para organizar um evento como esse. Mas essa época da inocência já passou.
Fazendo as contas das perdas e danos, acho que ganhamos muito com essa semana. Espero que não apareça um convidado bem trapalhão para acabar com a festa.
E essa é para os que não têm amnésia: cito aqui 37 filmes. Quem acertar o maior número deles, ganha um brinde. Entregue suas listas na recepção.
Boa noite e boa sorte!
